Administração de Trump demite todos os membros do conselho federal sobre HIV/AIDS

A red ribbon in recognition of World AIDS Day hangs at White House on Dec. 1. (Mandel Ngan/AFP/Getty Images)

O conselho federal formado por profissionais da saúde e agentes sociais, conhecido pelo nome PACHA, aconselhou a Casa Branca sobre as políticas de HIV / AIDS desde a sua fundação em 1995. Os membros, que são voluntários, oferecem recomendações sobre a Estratégia Nacional de HIV / AIDS, um plano quinquenal que responde à epidemia.

Chegou ao fim uma batalha travada pelo “Presidential Advisory Council on HIV/AIDS” na Casa Branca. Após alguns meses da demissão voluntária de mais de 12 conselheiros, em junho deste ano, por discordância com o modelo de gestão de Donald Trump com relação ao tema, a Casa Branca decidiu exonerar os conselheiros que permaneceram por meio de uma carta oficial de afastamento. O Conselho atua para orientar políticas públicas nacionais que visem tratamentos e acompanhamento à comunidade que convive com a doença.

Em entrevista ao jornal ‘The Washington Post’ o epidemiologista Patrick Sullivan afirmou que a carta de demissão recebida pelo correio o agradeceu pelo serviço prestado e informou que sua nomeação para o cargo estava encerrada imediatamente. Patrick foi nomeado para o cargo no Conselho para um período de quantro anos em maio de 2016.

“O grupo é projetado para incluir médicos, membros da indústria, membros da comunidade e, muito importante, pessoas vivendo com HIV”, explicou ao The Washington Post,  Scott Schoettes, advogado da organização de direitos LGBT Lambda Legal. “Sem isso, você perde a voz da comunidade na formulação de políticas públicas”, ponderou ele.

Schoettes está entre o grupo que voluntariamente se desligou do Conselho em Junho deste ano. Na ocasião causou polêmica ao afirmar ao jornal Newsweek que a administração Trump não tinha nenhuma estratégia para lidar com o avanço e com o tratamento nacional da doença. “Nós tentamos resolver isso”, disse Schoettes ao The Washington Post após as demissões desta semana. “O fato é que você está lidando com um problema de saúde pública. Não é partidário”, argumentou.

O CONSELHO

O ‘Office of National AIDS Policy’, criado em 1993 durante a administração Clinton, não teve diretor até que Donald Trump assumiu o cargo e fez a nomeação de Kaye Hayes como Diretora Executiva do conselho. Hayes confirmou em uma declaração que todos os 10 membros do conselho que ainda permaneciam no cargo receberam cartas  encerrando suas nomeações. Ela não comentou quando a administração deve fazer novas nomeações para o conselho, que pode totalizar até 25 membros.

“Alterar a composição dos membros do comitê consultivo federal é uma ocorrência comum durante as mudanças administrativas”, disse Hayes no comunicado. “O governo Obama demitiu os nomeados do governo George W. Bush para a PACHA, a fim de dar novas vozes. Todos os membros da PACHA são elegíveis para se inscrever para participar do novo conselho que será convocado em 2018”, disse a Diretora.

Os especialistas que compunham o Conselho receberam com desânimo as demissões compulsórias anunciadas. Para eles, toda a política de coordenação e acompanhamento, além das diretrizes traçadas para auxiliar as pessoas que convivem com a doença e trabalhar a conscientização em torno do tema podem ser abaladas.

Com informações: The Washington Post