Empresas americanas são responsáveis por uso deturpado do visto de estudante

Por: Renata Castro (Advogada de Imigração e candidata à vereadora na Flórida)*

É comum que a responsabilização por infrações e deturpações do uso de vistos, sobretudo o de estudante, seja colocada apenas sobre o detentor do visto. Dados recentes divulgados pelo ‘Center for immigrations studies’ ou Centro de Estudos deImigração dos EUA, nos dão uma diretriz interessante sobre um sistema de abusos deste tipo de visto que quase nunca é comentado: o da responsabilidade de empresas americanas pela aceitação dos usuários deste tipo de visto no mercado de trabalho.

Na publicação do Centro, feita no dia 13 de dezembro deste ano, David North pondera que existe uma indústria de vistos de estudantes que recruta profissionais para ganhos abaixo da média e que se valem deste pretexto para garantir lucros exorbitantes. De um lado, as escolas que oferecem o visto F1 e de outro as empresas que contratam detendores deste visto exclusivo para estudo nos EUA.

No artigo, North critica Instituições que funcionam como fábricas de vistos e que estão mais interessadas em obter mensaliades e taxas do que propriamente focadas na missão de ensinar. Um ampanhado geral sobre esta questão está citado em outro documento do Centro de Estudos de Imigração chamado de “The Dregs of Higher Education Damage Our Immigration System”.

Há atualmente, uma comunidade de estudantes estrangeiros que procura, claramente, esta modalidade de visto, mais barata que as demais, com o único intuito de trabalhar e morar legalmente nos Estados Unidos. Ocorre que esta prática é uma violação crucial deste visto que é exclusivo para estudar. Há uma grande discussão em torno dessa questão dentro da própria comunidade brasileira que reside nos Estados Unidos e não vê o tema como pacificado. Muitos de um lado acreditam que estes estudantes estrangeiros estão ocupando cargos que em tese deveriam ser disponibilizados para detentores da autorização de trabalho.

Além dessa dialética, há um terceiro conjunto de atores, também citados por North que são os empregadores que aceitam a mão de obra vinda de detentores do visto F1 (estudante). Há, mesmo que sem muita divulgação sobre o assunto, uma onda deempresas que mantém esse tipo de prática que no fim, termina em culpa apenas para os detentores do visto F1 que cometem a violação da natureza de seu visto.

Renata Castro – Advogada de Imigração

Em outras palavras, há um sistema que lucra com a concessão de vistos e um sistema que lucra com a mão de obra barata de uma grande parcela dos detendores de F1 que deveriam, originariamente, estar apenas estudando nos Estados Unidos. É uma questão que merece atenção e debate de todos para que responsabilidades sejam devidamente atribuídas para todos os atores que participam desta engrenagem que é o sistema imigratório americano. 

Sobre a autora: A advogada brasileira Renata Castro se formou na prestigiada Faculdade de Direito da Universidade Nova Southeastern em Davie, na Flórida. Fundadora do Castro Legal Group, em Pompano Beach-FL, Renata tem forte presença no cenário político, já que como candidata a vereadora pelo partido democrata na cidade de Margate, obteve mais de 4,700 votos no ano de 2016.