Aumento do Ativismo Social no Brasil é resultado da ausência do Estado nas regiões afastadas, avalia educadora

Débora_Braga_-_Dirige_projeto_Canoário_Vera_Lúcia_Braga_em_Ilha_Grande_RJ

Dados do último estudo do IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, revelam que o Brasil fechou o ano de 2017 com 820 mil ONGs existentes. Esse número representa mais que o dobro do último divulgado estimado em cerca de 400 organizações.

O levantamento recente divulgado pelo IPEA mostra o expressivo aumento do ativismo social e do registro de Organizações Não Governamentais no Brasil. A pesquisa revela que das 820 mil ONG’s registradas, 709 mil (86%) são associações civis sem fins lucrativos,  99 mil (12%) são organizações religiosas e 12 mil (2%) são fundações privadas.

Outro dado importante é que a presença regional das organizações segue a distribuição da população: a região Sudeste tem 40% das organizações, seguida por Nordeste (25%), Sul (19%), Centro-Oeste (8%) e a região Norte (8%). A atuação das Organizações se pautam nas mais distintas áreas, buscando suprir as carências que as comunidades apresentam.

Para a educadora e ativista Débora Braga, que direge há mais de 30 anos o projeto ‘Canoário Vera Lúcia Braga’ na Ilha Grande do Rio de Janeiro e uma iniciativa semelhante em comunidade carente da Colômbia, o aumento do ativismo social e do surgimento de Organizações Não Governamentais se deve à ausência do Estado em regiões afastadas do interior do Brasil.

“Infelizmente o Estado não alcança as populações dos rincões do nosso país e em muitos casos, estas populações nem estão tão afastadas e também não tem apoio. A comunidade que vive na Praia do Longa, localizada há cerca de 1 hora de Angra dos Reis no Rio de Janeiro é um exemplo disso. Quando minha mãe inaugurou o projeto Canoário – que assiste crianças e jovens na região – os problemas sociais já existiam. Hoje, mais de 30 anos depois, a comunidade ainda sofre com o niilismo, drogadição, entre outros problemas”, revela Débora Braga.

Para a ativista, o aumento de iniciativas de proteção social, embora seja louvável, deveria representar aos Governantes uma espécie de alerta. “Não é possível que este aumento considerável de iniciativas vindas da sociedade civil organizada não cause constrangimento em quem gere o dinheiro e as iniciativas públicas. O que era para ser um apoio social passou a ser o único auxílio que estas comunidades encontram”, afirma Débora Braga.

Débora Braga. Educadora e Ativista no Brasil e na Colômbia

COMUNIDADE ENGAJADA

A educadora e ativista conta que na Praia do Longa, o projeto Canoário – que leva o nome da mãe de Débora – ajuda as crianças e adolescentes com acompanhamento pedagógico e com a oferta de atividades que representem uma opção de vida às crianças e jovens locais. “Nosso projeto foca na restauração da dignidade e da vida da pessoa humana. Estes jovens estão completamente desassitidos pelo Estado. Então, só nos restou continuar agindo para garantir o básico para estas famílias”, afirma Débora Braga.

Segundo ela, o apoio de organizações religiosas e de voluntários faz a diferença, porém, pela localização da comunidade, o engajamento das pessoas de cidades vizinhas deveria e poderia ser maior. “Angra dos Reis é um dos destinos mais procurados e o nível social e econômico da região é impressionante. Infelizmente, o engajamento e a disposição em ajudar as comunidades mais afastadas da Costa Verde do Rio não é tão expressivo como poderia ser”, afirma.