Casa Branca afirma que planos anti-imigração de Trump poderiam ter impedido o ataque de Nova York

AP Photo/Andres Kudacki Police stand guard inside the Port Authority Bus Terminal following an explosion near Times Square on Monday, Dec. 11, 2017, in New York.

O Presidente cobrou do Congresso americano uma postura firme para acabar com a imigração em cadeia por vínculo de parentesco. Atualmente detentores do green card podem repassar o documento para seus parentes de primeiro grau. Conexões familiares, incluindo cônjuges, filhos e família extensa, representam uma grande parcela de green cards distribuídos a cada ano.

Washington – O presidente Donald Trump disse nessa segunda-feira que a tentativa de ataque terrorista em Nova York reforça a necessidade de suas políticas de imigração constantemente anunciadas sejam aprovadas.  A Casa Branca defendeu que a aprovação destas medidas teria impedido o suspeito de entrar nos Estados Unidos. O suspeito de 27 anos, Akayed Ullah, estava usando uma bomba de tubo que explodiu na estação de metrô da Times Square de Nova York na manhã de segunda-feira, ferindo a si mesmo e a outras três pessoas.

Durante a coletiva, a Casa Branca não apresentou nenhuma evidência de que o suspeito do atentado tenha ficha criminal ou registro de alguma atividade criminosa nos EUA.  Donald Trump afirmou que o sistema de imigração do país permite que muitas pessoas perigosas e inadequadas ingressem nos Estados Unidos e que esta prática é incompatível com o ideal de segurança nacional pretendido.

“O suspeito de terror de hoje entrou em nosso país através de migração de cadeia de família alargada, o que é incompatível com a segurança nacional”, disse o presidente. “O Congresso deve acabar com a migração em cadeia. O Congresso também deve atuar nas outras propostas da minha administração para melhorar a segurança doméstica no nosso País”, afirmou Trump.

O Presidente também citou a proibição de ingresso de pessoas vindas de determinados países. A medida, porém, não se aplica ao país do qual o suspeito imigrou.  Akayed Ullah, de 27 anos, chegou aos EUA de Bangladesh em 2011 com um visto para crianças de irmãos de cidadãos americanos naturalizados, confirmou o Departamento de Segurança Interna na segunda-feira. Ullah é um residente permanente legal e titular do green card, disse o porta-voz Tyler Houlton.

APROVAÇÃO DE MEDIDAS ANTI-IMIGRATÓRIAS

O presidente Donald Trump solicitou repetidamente o fim ou restrições sobre a “migração em cadeia”, e voltou a afirmar seu apoio a um projeto de lei dos Senadore republicanos, Tom Cotton do Arkansas e David Perdue da Geórgia, que reduziria drasticamente o número de imigrantes que podem obter o tão sonhado green card para permanecer como residentes permanentes nos EUA.

Os cidadãos dos EUA com mais de 21 anos podem patrocinar irmãos para vistos para os EUA e o tipo de visto de Ullah é entregue às crianças menores de 21 anos desses irmãos. Essas famílias ainda devem cumprir os requisitos de elegibilidade para entrar nos EUA e são selecionadas e entrevistadas.

SISTEMA IMIGRAÇÃO SOB ATAQUE

A secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Sanders, argumentou que Ullah não teria estado nos EUA se a política de imigração defendida por Donald Trump fosse implementada. “Sabemos que a política do presidente exige o fim da migração em cadeia – exatamente a que permitiu o acesso desse indivíduo nos Estados Unidos – se a nova política estivesse em vigor este indivíduo não teria permissão para entrar no país”, afirmou Sanders.

Para a brasileira e advogada de imigração, Renata Castro, o uso de casos drásticos pela administração de Trump para convencer a opinião pública de que mudanças no sistema imigratório são urgentes é um fato comprovado. Segundo ela, neste caso específico Trump mostrou mais uma vez que associa casos isolados a medidas que devem valer para todos.

“Em entrevista no dia 2 de novembro para o canal Fox News, Trump defendeu o fim da migração em cadeia. Durante este ano, o que vimos ocorrer bastante foi a utilização de casos como este para corroborar com a opinião do Presidente na tentativa de aprovar medidas anti-imigratórias. Ocorre que casos isolados não podem ser usados para justificar mudanças que impactem diretamente na vida de tantas pessoas”, afirma Renata Castro.

Para Renata Castro, o tratamento dado entre praticantes de atos violentos nos Estados Unidos é diferente quando se trata de um infrator americano. “Vimos recentemente o tratamento concedido pela administração ao caso do atirador em Las Vegas. Quando o cidadão é americano as razões divulgadas são sempre mais atenuantes do que quando se trata de um infrator imigrante naturalizado ou não. É importante sim pensar um sistema que proteja a sociedade mas sem essa visão de dois pesos e duas medidas”, afirma Renata Castro.

Com informações: CNN