Casa Branca deve iniciar 2018 atuando pelo fim do direito de imigração por parentesco e pró-mérito

A view of the North Portico of the White House, Wednesday June 14, 2017 in Washington D.C. (Official White House Photo by Joyce N. Boghosian)

Discursos oficiais de Donald Trump e sua equipe mostram que para os próximos meses será intensa a busca por convencer os americanos a aderir a proposta que privilegia o “mérito” em relação à conquista de direitos imigratórios por parentesco aplicada atualmente.

WASHINGTON – A Casa Branca está iniciando uma grande campanha para transformar a opinião pública contra o sistema de imigração da família e à favor de uma estrutura de sistema imigratório mais pautada na concessão de vistos e direitos por mérito. É o que revela a postura da equipe administrativa de Donald Trump após a tentativa fracassada de atentado ocorrido em Nova York no início do mês de dezembro.

“Acreditamos que conseguiremos uma unidade de votos”, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Hogan Gidley sobre o que, segundo ele, será “o bom senso da América em adesão ao primeiro projeto de controle imigratório proposto pelo Presidente Donald Trump”. Segundo divulgado pelo site PBS News Hour, a equipe de Trump está reunindo dados para reforçar o argumento de que o atual sistema de imigração legal não é apenas mal concebido, mas perigoso e prejudicial para os trabalhadores dos EUA.

POLÊMICA REFORMA IMIGRATÓRIA

Críticos à proposta de reforma imigratória de Trump afirmam que a administração está alterando dados e deturpando informações para alcançar apoio popular ao projeto. Segundo divulgado pelo site, a administração de Trump iniciou uma tentativa de promover seu argumento contra a imigração por parentesco a partir da publicação de um artigo no blog oficial destacando “Dados do Departamento de Segurança Interna que mostram que quase 9,3 milhões dos aproximadamente 13 milhões de imigrantes totais nos EUA de 2005 a 2016 estavam seguindo familiares já nos Estados Unidos. Apenas um em cada 15 imigrantes admitidos na última década pelo ‘Green Card’ entrou no país por causa de suas habilidades.

Outros lançamentos já estão planejados: um relatório que destaca o número de imigrantes nas prisões dos EUA, as avaliações do tribunal de imigração atrasos e atrasos no processamento de casos de asilo e um documento sobre o que a administração diz que há um nexo entre imigração e terrorismo. Os críticos questionaram o uso seletivo da administração de dados às vezes enganadores do passado.

FIM DA MIGRAÇÃO EM CADEIA

A alteração proposta para a imigração familiar representaria a mudança mais radical para o sistema de imigração dos EUA em 30 anos. Isso acabaria com o que os críticos e a Casa Branca chamam de “migração em cadeia”, nos quais os imigrantes podem trazer uma cadeia de membros da família para o país.

O projeto prevê a substituição do sistema vigente por  um baseado em pontos que seriam atribuídos ao solicitante com base no seu gru de estudo e potencial empregatício. Somente a partir de uma determinada pontuação seria concedido o benefício do ‘Green Card’. Um dos fortes argumentos favoráveis ao mérito é a utilização de sistemas semelhantes por outros países da Europa, como por exemplo, a Grã-Bretanha.    

DEBATE ACIRRADO EM 2018

Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac realizada em agosto deste ano descobriu que 48 por cento dos eleitores americanos se opuseram a proposta de  Trump que busca reduzir o número de futuros imigrantes legais pela metade e dar prioridade aos imigrantes com habilidades extraordinárias de trabalho e não com os laços familiares neste país. Quarenta e quatro por cento dos entrevistados – incluindo 68 por cento dos republicanos – apoiaram a idéia. 

A Casa Branca espera que o Congresso comece a abordar o problema no início de 2018 – embora ainda não tenham começado as discussões com os líderes do Congresso. Donald Trump recomendou que o Congresso aprove seu projeto de reforma imigratória em troca da concessão de status legal para os mais de 700 mil jovens que entraram nos EUA ainda crianças e são beneficiários do programa DACA.O projeto prevê, além deste ponto, apoio financeiro para a construção do muro na fronteira com o México, entre outros.

Para a brasileira e advogada de imigração, Renata Castro, o tema deve pautar o debate político nos EUA já no início de 2018. Segundo ela, trata-se de uma mudança que impactará de forma incisiva o sistema imigratório americano “Esta adminstração tem uma visão mais tecnicista e deverá encontrar apoio de parcela da população americana que acredita numa imigração mais qualificada do ponto de vista profissional/intelectual. A atuação incisiva da Casa Branca para impor sobre o Congresso o debate sobre o tema pode sim ter resultado e mudar a dinâmica da migração em cadeia aplicada atualmente”, pondera Renata Castro.  

Com informações: PBS News Hour