Controle de armas: Jovens americanos protestam em frente à Casa Branca e agendam Marcha Nacional

(Foto de Zach Gibson / Getty Images)

Em apenas 7 semanas após o início do ano de 2018 os EUA já registram oito tiroteios em escolas americanas que resultaram em feridos e mortes. “Minha geração não aceitará isso” disse o jovem Cameron Kasky, 17, à rede CNN. Adolescentes estão organizando pela internet uma marcha nacional contra a violência armada para o dia 24 de março.

WASHINGTON – Dezenas de estudantes se reuniram nesta segunda-feira, 19, data em que se comemora o feriado “Presidents Day” nos EUA, em frente à Casa Branca para exigir mudanças nas leis de armas do país. O protesto foi um entre os vários que ocorrem e devem acontecer nos próximos dias nos Estados Unidos. A onda de manifestações começou após o tiroteio em massa em uma escola secundária da Flórida deixou 17 pessoas mortas.

Menos de um mês atrás, um estudante de 15 anos abriu fogo em um colégio no Kentucky, deixando dois estudantes mortos e 18 feridos. Outros incidentes foram graves, mas em menor escala. No início de fevereiro, um estudante em Los Angeles foi baleado na cabeça, e outro no braço, quando uma arma escondida na mochila de um colega disparou.

ONDA DE PROTESTOS

A manifestação foi organizada pela Teens for Gun Reform, uma organização criada por estudantes na área de Washington, D.C., Os manifestantes participaram do que disseram que seria uma mentira de três minutos.Eles se deitaram em frente da Casa Branca “em representação às vítimas dos tiroteios escolares”, de acordo com uma publicação na página oficial do Facebook do grupo.

Após o ato simbólico os manifestantes continuaram a expor as placas de apoio ao endurecimento das leis de armas e gritaram frases, incluindo “Vergonha em você” e “Desarmar o ódio” em direção à Casa Branca. O grupo também cantou “Não há mais mortes”, “Eu sou o próximo?” E “Ei, ei, NRA, quantos filhos você já matou hoje?”.

(Photo by Zach Gibson/Getty Images)

No último domingo, 18, os estudantes se organizaram e divulgaram uma marcha nacional em Washington para exigir a ação do Congresso sobre a violência armada. O evento, denominado de “March For Our Lives”, está agendado para ocorrer no dia 24 de março e deve ganhar edições menores em todos os estados americanos.

“MINHA GERAÇÃO NÃO ACEITARÁ ISSO”

“Minha geração não aceitará isso”, disse o jovem Cameron Kasky, 17 anos, em entrevista à rede CNN. O adolescente que, ao ir buscar seu irmão na escola da Flórida sobreviveu ao ataque, disse que não há mais razões para a juventude se calar. O parlamentar Bill Nelson, um democrata da Flórida, disse na semana passada: “Estamos chegando a esperar que esses tiroteios em massa sejam rotineiros? E então, depois de cada um, dizemos ‘o suficiente é suficiente’ e então continua a acontecer?”, questionou ele.

“PUDE COMPRAR UM AR-15 EM CINCO MINUTOS”

“Tenho 20 anos e com minha identidade expirada comprei uma AR-15”, afirmou um jovem em 2016 ao website colaborativo ‘TheTab’. Segundo ele, dois dias  após um tiroteio foi até uma loja de armas local na Virgínia e os vendedores não hesitaram em vender para ele um AR-15. Em cinco dos seis maiores ataques de massa nos últimos seis anos nos EUA o atirador tinha um rifle semi-automático de estilo AR-15.

TheTab

Segundo o jovem, que não teve a identidade revelada na publicação, os vendedores, em nennum momento, estranharam o fato dele ser ainda muito jovem. “Eu entrei na loja e disse-lhes que eu estava interessado em algo para proteção de casa e prática de tiro. A mulher do balcão sorriu e perguntou: “Rifle ou shotgun? As espingardas que eles tinham em estoque honestamente pareciam muito legais, então eu pedi para olhar para um dos 12 medidores na parede. Enquanto eu estava examinando a arma, a senhora me disse que era uma boa escolha para a defesa em casa”, contou.

“Perguntei então se eu poderia tirar uma foto rápida para me ajudar a decidir e ela não exitou, disse apenas Absolutamente!”, disse o jovem na ocasião.

Com informações: Huffington Post – The New York Times – The Tab