Departamento de Justiça dos EUA emite orientação para que se use o termo imigrante ‘ilegal’ e não ‘indocumentado’

Procurador Geral Jeff Sessions (Reuters photo: Aaron P. Bernstein)

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos instruiu os escritórios de advocacia de todo o país a não mais usar o termo “indocumentado” para se referir a alguém que esteja ilegalmente nos EUA. Segundo uma cópia de e-mail obtida pela rede de notícias CNN, o termo que deverá ser usado é o “imigrante ilegal”.

De acordo com o e-mail, o Departamento de Justiça usa termos do Código dos EUA para descrever um indivíduo que está ilegalmente nos EUA, e assim se refere a ele como “um estrangeiro ilegal”. “A palavra ‘não documentado’ não se embasa no código dos EUA e não deve ser usada para descrever a presença ilegal de alguém no país”, descreve trecho do email.

Um imigrante que está nos EUA legalmente ou cujo status é desconhecido deve ser descrito por seu país de cidadania, acrescenta. Cidadãos americanos ou portadores de green card são referidos como “residentes” do estado ou da cidade onde moram, e a orientação diz se sua cidadania ou status podem ser referenciados se fizerem parte do registro factual do caso.

POLÊMICA

A questão de como descrever as pessoas que estão ilegalmente nos EUA tem sido um tema que provoca debates acalorados atualmente. Em 2013, o The Associated Press Stylebook mudou sua terminologia para não descrever uma pessoa como ilegal. O AP Stylebook é amplamente seguido pelos meios de comunicação nos EUA e no mundo. A maioria dos estabelecimentos, incluindo a CNN, usa o termo “imigrante indocumentado” e usa apenas termos como “estrangeiro” ao citar diretamente uma agência ou um funcionário do governo.

A orientação do Departamento de Justiça diz que o objetivo é “esclarecer alguma confusão e ser consistente na maneira como elaboramos nossas publicações” e descreve a forma particular como os escritórios regionais devem se referir aos indivíduos nos comunicados à imprensa. Um porta-voz do Departamento de Justiça não contestou a autenticidade do e-mail e apontou para a linha sobre a busca de consistência e remediação da confusão.

Com informações: CNN