Deportação: Imigrante liga para 911 para denunciar crime e acaba preso em Washington State

Wilson Rodriguez Macarreno, nativo hondurenho e pai de três filhos, foi detido no estado de Washington na semana passada. (Cortesia de Luis Cortes Romero)

Após o chamado, a polícia prendeu e conduziu o hondurenho Wilson Rodriguez Macarreno para o Centro de Detenção em Tacoma, uma das maiores instalações de prisão dos EUA. Ele permanece preso aguardando a possível deportação para Honduras, que pode ocorrer nos próximos dias.

De acordo com o jornal The Washington Post, às 5:30 da madrugada da última quinta-feira, 15, quando Wilson Rodriguez Macarreno estava se preparando para o trabalho, ele notou um movimento estranho em sua casa que fica em Tukwila, Washington State. Rodriguez, que é carpinteiro e nativo de Honduras, enfrentou uma série de tentativas de invasão em sua casa nas últimas semanas. Segundo a versão apresentada pelo advogado, Rodriguez se preocupou com os filhos e decidiu ligar para o 911 e denunciar o possível intruso.

Em poucos minutos a polícia chegou à casa e confirmaram a tentativa de invasão à propriedade. Contudo, os agentes informaram que não tinham nenhuma razão ou causa provável para prender o suspeito. Em seguida, pediram a Rodriguez que apresentasse seu documento de identificação. Ilegal há mais de 14 anos, Rodriguez informou apenas seu nome às autoridades que garantiram a ele se tratar apenas de um relatório de rotina.

A PRISÃO

Momentos depois, os oficiais algemaram Rodríguez e o colocaram na parte de trás do carro de patrulha. Uma busca por seu nome no banco de dados do National Criminal Information Center indicou um mandado pendente contra Rodriguez, informou a polícia. Rodriguez ouviu um oficial discutindo por viva-voz com alguém no outro lado da linha. Foi Imigração e Alfândega, disse Luis Cortes Romero, advogado de Rodriguez ao jornal.

Segundo o relato, Wilson Rodriguez ouviu: “Você quer que nós o levemos para você?”, perguntou o oficial. “Isso seria ótimo”, respondeu a voz na ligação. Minutos depois, os oficiais deixaram Rodriguez em um escritório de campo da agência ICE. Rodriguez foi algemado e depois levado ao Centro de Detenção do Noroeste em Tacoma, uma das maiores instalações de detenção do país.

REPERCUSSÃO

Respondendo a uma onda de indignação sobre o caso, o Departamento de Polícia de Tukwila escreveu em uma longa declaração no Facebook que os oficiais mal interpretaram a natureza do mandado contra Rodriguez. Segundo o comunicado, os agentes de polícia “reconheceram que ele tinha um mandado e julgaram se tratar de um mandado criminal o que os levou a seguir o protocolo e os procedimentos padrões de prisão”.

Mais tarde, determinou-se que o mandado era de natureza administrativa, mas apareceu na base de dados do NCIC como se fosse um mandado criminal. De acordo com o advogado, Rodriguez primeiro interagiu com as autoridades de imigração no Texas pouco depois de ter entrado ilegalmente no país em 2004. A partir desse encontro, Rodriguez deveria participar de uma audiência judicial obrigatória. Mas ele nunca recebeu um aviso sobre a audiência possivelmente porque ele estava se movendo de um endereço para outro.

ORDENS DE DEPORTAÇÃO

Após a detenção de Rodriguez, o Chefe de Polícia de Tukwila, Bruce Linton, emitiu uma diretiva ao departamento informando que, no futuro, os oficiais não responderão aos mandados administrativos emitidos pela ICE, nem colaborarão com a agência. O departamento de polícia também verificou com a ICE que as ordens administrativas de deportação, como as de Rodriguez, são rotineiramente inseridas na base de dados criminais da mesma forma que qualquer autorização criminal, segundo a polícia.

“Podemos encontrar mais desses tipos de mandados no futuro”, diz o comunicado da polícia.  A polícia de Tukwila não responde aos pedidos do ICE para deter pessoas em seu nome, nem respondem aos pedidos de notificação da ICE sobre os contatos que eles podem ter com imigrantes indocumentados, diz o comunicado da polícia. “Como uma prática e por nossa política, não nos perguntamos sobre a nacionalidade ou status de imigração de qualquer pessoa que encontramos durante a execução de nossos deveres”, continuou o comunicado.

Embora a agência policial tenha tomado medidas corretivas, as opções de perdão para Rodriguez são limitadas. Seu advogado pediu a suspensão de sua remoção por motivos humanitários, pois ele é o único provedor financeiro de sua família que é formada por cônjuge e três filhos pequenos.

Com informações: The Washington Post