Empresários brasileiros precisam abandonar velhas práticas trabalhistas para consolidar negócio nos EUA

Por: Andrea Woodard*

A crise político-econômica no Brasil vem levando a internacionalização da classe média alta para países como os Estados Unidos. E o estado da Flórida está entre os favoritos, devido à proximidade com o clima tropical e a grande comunidade Hispânico-latina, facilitando a adaptação ao novo país.

Diferente de outras “ondas migratórias” que ocorreram no passado, nota-se um volume enorme de pessoas de alta renda vindo morar nos EUA, num processo de fuga da violência e insegurança das grandes capitais brasileiras. A busca por vistos especiais de empreendedores, como o EB-5, E2 ou mesmo de habilidades especiais, vem lotando os escritórios de advogados de imigração do Estado da Flórida.

Mas o processo de adaptação, tem sido um tanto quanto desafiador, especialmente para aqueles que praticavam a cultura escravagista no Brasil. Falta humildade, falta preparo, falta respeito com as pessoas e a cultura local. A todo instante ouvimos as pessoas mencionarem a expressão: “saiu do Brasil, mas o Brasil não saiu dele(a)”.

Sem querer trazer à tona os problemas escravagistas e raciais no Brasil, listamos pontos importantes a serem percebidos no processo de internacionalização de pessoas e empresários nos EUA:

  1. Seja humilde: Não importa quão estabilizada sua vida empresarial seja no Brasil, nos EUA sua empresa é apenas uma startup. Sim, você está começando do zero. Aceite isso e haja com humildade! “Recomeçar” é o verbo que vai te perseguir por alguns anos.
  2. Respeite as culturas americanas: Isso vai desde a necessidade em aprender a falar inglês, à forma de fazer negócios. Existem grandes diferenças quando comparadas ao Brasil. Pesquise, se informe e respeite as culturais locais.
  3. Respeite as pessoas: Empresários americanos valorizam seus funcionários como o bem maior de uma empresa. Acredita-se que a mesma só cresce valorizando as pessoas. Isso vale do reconhecimento salarial e de benefícios, como ao uso constante de expressões como “bom dia”, “por favor” e “obrigado”. Isso vale para suas relações profissionais e pessoais. Não importa classe social, cor, raça: respeitar as pessoas é essencial.
  4. Seja pontual: outro hábito brasileiro que precisa ser deixado no Brasil é a cultura do atraso. Organize sua agenda, aprenda sobre o trânsito, e as distâncias entre os locais, programe-se e jamais chegue atrasado em compromissos. É uma imagem extremamente negativa.
  5. Valorize seus conterrâneos: maior exemplo de cultura escravagista, é a não-valorização dos seus conterrâneos, pelo simples fato de serem brasileiros. É bem comum o desejo de contratar funcionários brasileiros “porque podem pagar menos”. Até mesmo para aqueles brasileiros instruídos, bilíngues (ou trilíngues), documentados e experientes no mercado americano. O desejo de escravizar os conterrâneos é mais profundo do que o real desejo de suceder no novo pais.
  6. Procure por ajuda: Instituições e empresas locais estão disponíveis para ajudá-lo a alcançar o sucesso. Consultorias especializadas, ONG’s do governo e grupos de network. Busque apoio e troque informações. Quanto maior o contato com pessoais locais, mais rápida será sua adaptação. Seu modo de pensar, suas referências, irão mudar e é normal. Abrace essas mudanças!
  • Andrea Woodard é residente permanente nos EUA. Tem extensa carreira de gestão administrativa e longa atuação junto a empresas americanas e brasileiras em internacionalização. É consultora de business development e orientação financeira.