Gestão Trump dificulta processos de cidadania para imigrantes nas Forças Armadas americanas

Uma cerimônia de naturalização para membros do serviço militar dos EUA em 2011. Timothy A. Clary / AFP / Getty Images

Prerrogativa vigente garantia acesso mais rápido à cidadania americana para imigrantes que completarem o curso de formação. Governo fechou escritórios nos locais de treinamento básico do Exército impondo mais um obstáculo para os militares imigrantes que buscam a naturalização.

Washington – A agência federal americana encarregada do processamento da cidadania para militares fechou todos os seus escritórios nos locais de treinamento básico do Exército dos EUA. A medida coloca outro obstáculo para recrutas imigrantes que se alistaram sob a promessa de conseguir a cidadania em troca do credenciamento na atividade militar.

A decisão polêmica pode representar o indício mais forte de que a administração de Trump pode estar planejando arquivar o programa popular que concede acesso à cidadania mais rápido de forma permanente, embora o secretário da Defesa, Jim Mattis, tenha dito que acredita que o programa pode continuar.

Os escritórios dos Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA em Fort Benning, Georgia, Fort Jackson, Carolina do Sul e Fort Sill, Oklahoma, estavam todos fechados em 26 de janeiro, confirmou uma porta-voz do Governo para a BuzzFeed News. Esses escritórios, que se reportam ao Departamento de Segurança Interna dos EUA, processam a naturalização dos membros do serviço militar e suas famílias.

O fechamento dos escritórios significa o fim da cidadania acelerada para os recrutas imediatamente após completarem o treinamento básico, um elemento-chave do Programa de Adesões Militares Vital para Interesse Nacional, ou MAVNI, que naturalizou mais de 10.400 membros do serviço militar desde 2009.

“O USCIS decidiu encerrar a Iniciativa de Naturalização na Formação Básica”, diz um documento de orientação de assuntos públicos do USCIS datado de 30 de janeiro deste ano. O documento citou “mudanças nos requisitos do Departamento de Defesa para certificar o serviço honorável para os membros do serviço militar dos EUA que solicitam a naturalização”.

CIDADANIA MAIS DIFÍCIL

Essas mudanças, anunciadas em outubro passado, exigem que os recrutas do serviço ativo sirvam por pelo menos 180 dias consecutivos e completem antecedentes extras e controles de segurança antes que eles possam receber a cidadania. Esse atraso obriga muitos dos recrutas imigrantes a violar os vistos que os permitiram ingressar nos Estados Unidos, estando assim submetidos à detenção de imigração. A nova medida também negou os privilégios imediatos que exigem a cidadania, como a candidatura a uma carteira de motorista em alguns estados ou a procura de residência dos EUA para seus cônjuges e filhos.

A mudança no programa, que o Pentágono considerou como potencial ameaça à segurança e com poucos exames de avaliação, irritou os recrutas que dizem que isso viola o acordo que eles fizeram – cobrando dos militares dos EUA avaliações médicas adicionais para se tornarem cidadãos dos EUA após treinamento básico de combate, ou BCT.

Em outubro, recrutadores do Exército americano receberam uma ordem de imediatamente deixar de inscrever imigrantes com green card. A decisão gerou polêmica na comunidade imigrante que tem, por lei federal, o direito a ingressar nas forças armadas americanas. “Atenção Efetivo: Interrompam imediatamente o alistamento de qualquer estrangeiro portador do I-551 Green Card Holders até segunda ordem”, diz a orientação enviada por e-mail e obtida pelo site MIC.

O e-mail com a orientação foi enviado aos recrutadores do Exército americano no dia 16 de outubro, pelo chefe da Guarda do Escritório de Adequação de Adesões e Divisão de Força Americana, Gregory C. Williamson. A medida foi de encontro ao anúncio feito pelo Departamento de Defesa Americano no dia 13 de outubro, quando afirmou que os titulares do Green Card interessados em ingressar nas Forças Armadas deveriam passar por uma investigação de vida pregressa antes de seguir ao curso de formação.

Com informações: BuzzfeedNews