Governo Trump suspende medida que isenta imigrantes grávidas de detenção

Os EUA já haviam se recusado a deter mulheres grávidas, exceto em circunstâncias especiais. ROBYN BECK / AFP / Getty Images

A mudança da orientação está sendo criticada por organizações de direitos humanos nos Estados Unidos. Recentemente a gestão Trump também passou a ser criticada por separar pais e filhos que tentam ingressar nos EUA pelas fronteiras.

A administração de Donald Trump está revertendo uma política que isenta imigrantes grávidas da detenção de imigração. A mudança no protocolo ocorre para alterar a diretiva que o Departamento de Segurança Interna emitiu em 2016 destacando que as mulheres grávidas não deviam ser detidas pela Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE), a menos que existam circunstâncias extraordinárias.

As mulheres grávidas agora serão tratadas como qualquer outro imigrante suspeito de estar ilegalmente nos Estados Unidos, de acordo com a nova diretriz, que foi relatada com exclusividade pelo site de notícias The Hill.

Um e-mail interno descrevendo a mudança pondera que o novo procedimento deve se alinhar melhor a uma ordem executiva de imigração assinada pelo presidente Donald Trump no ano passado durante sua posse em janeiro de 2017 logo depois que o Presidente prestou o juramento de posse e ampliou a descrição de pessoas que poderiam ser consideradas uma prioridade para a remoção dos Estados Unidos através de deportação.

POLÊMICA

Organizações de direitos humanos criticaram a nova política do ICE, dizendo que ela mostra um padrão de crueldade para com imigrantes indocumentados e mulheres sob a administração de Trump.  “Esta nova política expõe ainda mais a crueldade da força de detenção e de deportação de Trump, colocando em risco a vida das mulheres imigrantes grávidas. Ela remove proteções  para essa população vulnerável e elimina os principais requisitos de relatórios para a supervisão de um sistema de detenção que precisa de mais, não menos, transparência e responsabilidade”, disse em comunicado Victoria Lopez, uma conselheira sênior da American Civil Liberties Union.

Michelle Brané, diretora do programa Direitos Migrantes e Justiça com a comissão de mulheres refugiadas, disse que a nova política é contra-intuitiva e apresenta novos riscos para as mulheres que podem vir aos Estados Unidos para fugir da violência doméstica e do estupro levou à gravidez em primeiro lugar.

“Muitas mulheres estão grávidas como resultado de estupro e violência que sofreram na viagem para os EUA ou que podem ser parte de uma reivindicação de asilo. A detenção é especialmente traumática para as mulheres grávidas e, mais ainda, para as vítimas de violação e violência baseada no género”, continuou ela.

O e-mail anunciando a mudança na política continua a destacar que as mulheres grávidas em seu terceiro trimestre não serão detidas “sem circunstâncias extraordinárias”. A nota também diz que os agentes do ICE considerarão cada imigrante grávida, caso a caso, para determinar se as mulheres devem ser detidas ou soltas. O ICE não respondeu a um pedido de comentário e confirmação sobre a mudança na política.

Com informações: The Hill