Sem prioridade  política para cidades afastadas Brasil pode precisar de ajuda humanitária nos próximos anos, avalia ativista

Foto: Divujlgação/MD

Abandono do estado, drogadição, niilismo, e falta de incentivo às comunidades mais afastadas do Brasil serão o grande desafio dos gestores públicos eleitos em 2018, segundo a educadora e ativista Débora Braga – que coordena há mais de 30 anos projetos sociais no Rio e na Colômbia.

Na última assembleia geral da ONU ocorrida no fim do mês passado um dos principais assuntos debatidos foi o impacto da crise humanitária da Venezuela na América Latina. Um assunto que as autoridades do mundo todo defenderam como sendo urgente. Durante a assembleia os EUA anunciaram ajuda de mais de 48 milhões de dólares para o país.

Para a educadora e ativista Débora Braga, que atua na defesa dos direitos da pessoa humana na Ilha Grande-RJ e na Colômbia, a crise humanitária deve assolar o Brasil sem prioridade política dos próximos governos para as cidades mais afastadas do país. Para ela, algumas regiões do Brasil já vivem, há muito tempo, em situação de risco abandonadas pelo estado.

Débora Braga. Educadora e Ativista no Brasil e na Colômbia

“Se os novos políticos eleitos não priorizarem medidas urgentes para garantir o mínimo às comunidades interioranas do nosso país a situação se complicará nos próximos anos. Na comunidade de Praia do Longa, localizada há cerca de 1 hora de Angra dos Reis na Ilha Grande-RJ, temos lutado há anos para assegurar o básico para a dignidade das pessoas ribeirinhas. A região é assolada por drogadição, exploração turística, pesca predatória, niilismo, e falta de incentivo aos jovens, o que infelizmente vemos também se repetir em outras regiões do Brasil”, pondera a ativista.

Segundo Débora Braga, governantes de todos os estados brasileiros, no geral, não incluem em seus planos, medidas estratégicas para alcançar comunidades mais afastadas criando junto às prefeituras uma lógica de transposição de responsabilidades que não resolve o problema. “Infelizmente já conhecemos essa ‘briga’ e enquanto isso pessoas estão vivendo em situação degradante”, afirma Débora Braga.

CRISE HUMANITÁRIA NO BRASIL

A ativista acredita que se este cenário permanecer o Brasil pode vir a entrar na lista de países que precisarão de ajuda humanitária para sanar os problemas das comunidades e povoados menores e mais afastados.

“O que vemos hoje na Venezuela é o retrato de uma condução política que não foi assertiva em favor do povo. No Brasil, para quem acompanha a vida em comunidades do interior, sabe que a crise humanitária, em alguma regiões, já existe. Estas pessoas não tem mais com quem contar e as ONG’s, muito embora desempenhem um papel fundamental nesta questão, não suportarão por muito mais tempo o peso da assistência a essas pessoas. Não haverá outro momento para que os governantes eleitos pensem sobre isso”, avalia Débora Braga.